sexta-feira, 5 de outubro de 2007

... No teatro (Continuação)

Sabe que eu gosto muito de observar as pessoas quando elas já estão sendo observadas? Eu gosto de estudar esse misto de improviso e vontade de agradar. Talvez eu seja um pouco arrogante no meu ponto de vista, na verdade, a verdade também poderia ser: Eles só querem acertar e sentir bem consigo mesmo. Sabe diretor, às vezes eu também odeio as pessoas, e me odeio muito mais por isso, quando o senhor me passou um exercício de chorar e eu não consegui, eu não consegui chorar porque sou meio encruado de emoções, o senhor que pediu para todos imaginarem a pessoa que mais ama morta, e eu não consegui chorar; até imaginei, depois de um tempo pensando. Mas as lágrimas não vinham, sertão eu estava, seco eu fiquei. Nem minha mãe, nem meu pai, nem aquilo tudo que é insubstituível me fez derramar o que se parece com soro.
Você entende?
Honestamente, eu acho que o senhor quando sai dos ensaios, ou toma uma pinga ou uns ansíoliticos.
Você que está com aparência absurdamente exausta...
Tu que concentra o talentoso Gabo até ele ficar artificial e não sorri mais, Gabo que também está no grupo das pessoas que querem te agradar.
Eu sou um hedonista fracassado somente porque eu tento ser um, a nossa única diferença é que eu me divirto. Você se esforça, eu tenho preguiça.
Olha só, não fale mais em educação em escolas públicas, ninguém ta nem aí pra isso, seja tão reciclável quanto sua arte, perecível quanto minhas mágoas.

Um comentário:

Nayara disse...

[i]A infindável capacidade de dom em arte,de arte em Dom...

Fantático...
Beijao