sábado, 21 de julho de 2007

A Réplica.


Ela queria ver a minha nudez atôa, enquanto eu escrevia, ela queria ver alem da minha nudez, mas a minha nudez também lhe interessava.
Olhe nos meus olhos. É uma pena que eu não deixo, não é mesmo?
Era desejo, é desejo. Eu a desejo somente porque é desejo.
Afinal, é somente desejo?
São essas perguntas que me torna um homem mais amargo, amargo como um uísque, não, divago, amargo com um campari.
Aquela cor rubra é mero engano.
Mas também havia medo.
Ela tinha medo do que lhe falei dentro daquela adorável salinha de estar, não sei se era mesmo adorável, ou se eu estava amável, mas no mesmo lugar que se amaram, os amantes se mataram, o sentimento se tornou intocável?
Havia dito que não se pode conhecer uma casa inteira no interior da pessoa, ela tinha medo, talvez, de se deparar com a sua própria face.
Todos nós somos um pouco ordinários, hipócritas, medíocres, e mais uma poção de coisas boas_ para equilibrar. Me desculpe, mas somos sim.
Ela tinha medo que os seus olhos registrassem na mente um ser humano imundo, um trapo de vida, um resquício de nada_essa é a palavra mais certa de todos os tempos.

Ela era burguesinha demais para denunciar a verdade com os olhos.
Quantas verdades completam uma mão?
Eu só tenho dez dedos e dezessete anos.

Um comentário:

Nay disse...

eu só tenho dez dedos e dezessete anos...