quinta-feira, 30 de abril de 2009

Noir no ar




Eu comprei um livro do Dashiell Hammett de 1933, chamado Mulher no escuro - Um romance perigoso.
Prefácios, thrillers, conversa fiada, etc, tudo auto-promoção. O livro tinha mais ou menos a mesma história do livro que eu estou escrevendo, pelo menos o comecinho dele, por isso que comprei. E também porque dizia aqui que o Dashiell Hammett é o pai do gênero noir, e eu adoro o gênero noir, mas detesto Sidney Sheldon. Dá pra entender?
O livro do Hammett - que também é o autor da novela O Falcão maltês - tem uma narração simples e diálogos desempolgantes, como se as pessoas já nascessem fartas de tudo, é um livro que não paira ameaça nem coisa alguma, e o final é tão forçado quanto um sorriso de alguém que se estabaca na rua.
Escreveu uma vez Raymond Chandler: "O estilo de Hammett no que tem de pior poderia ser considerado tão formal como uma página de Mário, o Epicurista; no que tem de melhor poderia dizer qualquer coisa que quissesse."
Grande Raymond Chandler! Esse cara nunca me decepciona, aliás, ele sim é um escritor considerado por mim pai do gênero noir, e não o pé no saco do Dashiell Hammett.

Até o Guilherme Muzzulon é melhor que o Dashiell Hammett, se eu fosse vocês eu lia o blog do Guilherme, como eu disse: noir no ar total.

http://vomitonovento.blogspot.com/

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Olinda Style



Vamos ver, senhores.

A maneira correta de agir e as pessoas que me rodeiam


Estou fadado a me chatear a conta gota e tomar resoluções em doses homeopáticas, só por causa da minha falta de tato imbecil. Do passei ao sol ao passeio a sombra, aí se vê a prudência adquirida ao longa da vida.
É o mais certo, sem duvida. Comprar uns becs, um vdka geladinho e dar paz ao rosto. Eu adoro ler em qualquer lugar, mas procuro ler escondido porque tenho um certo receio idiota das pessoas me acharem pedante, metido a intelectual, um bufão que não sabe nada da realidade. As pessoas que me rodeiam são assim ingnorantonas, elas pensam assim. Mas porque esse tipo de gente me rodeia? Ficar em casa seria o essencial, eu sei. Mas as vezes tenho gana de ver pessoas interlocutores, de sair, de ser mediocre só um pouquinho, uma coisa é está sozinho e outra completamente diferente é se sentir sozinho. Vou visita-los e fico como um biombo no meio da sala ouvindo sem me declarar, totalmente superficial, dar para acreditar que eu me presto a um papel desse? A verdade é que eu e nem eles (os ignorantões) fazemos questão de ser da mesma escória.
Os meus amigos de verdade estão longe demais, aí eu me viro como posso com as pessoas dessa cidade tão poluida e provinciana metida a industrial que é Camaçari.
Estou um pouco amargo esses dias, desse ser culpa dos escritores russos. Fazer o quê? Ler bastante e depois assistir novela só para balancear um pouco a tolice toda. Ah, faça-me uma tequila... Outro dia me peguei assistindo a novela das oito, e tinha lá aquele ator que só faz papel de problemático babando e balbuciando as asneiras do Cazuza: "A sua picina ta cheia de rato, a sua pisina ta cheia de rato." que ridiculo, me deu vontade de vomitar.
Olha, que tal se a Gloria Perez lesse um livro chamada Eu nunca lhe prometi um jardim de rosas da Hannah Green? Só para se inspirar um pouco mais. Fikdik.
O bom seria se eu tivesse uma tevê a cabo, e pudesse assistir os filmes escrotos do Alfred Hithicok e a viadagem do Genne Kelly, melhor ainda, o bom seria eu ter uma empregada neguinha e bem gostosa, que me desse um tiquinho enquanto ela lava o banheiro. Ah, que saudade da empregada...
Não vou ficar mais remediando desgraças, quer vim venha com tudo, ora porra. Estarei no mesmo lugar.
Agora mudando um pouco de assunto, no entanto pairando no mesmo tema: Estou escrevendo um livro com o meu nobre amigo Guilherme Muzullon que está lá no Rio de Janeiro, já tinhamos composto uma grande coisa, o livro tava tomando formas e estava muito bom. Aí veio o infortunio: ele perdeu tudo que tinha escrito e o meu pc deu pau no dia seguinte, morreu a placa mãe, já tem meses no conserto e o rapaz disse que pode recuperar meus arquivos sim. Assim espero, mas vou ter que esperar o dinheiro entrar para resgatar meu computador... Càtso, eu gostava tanto da familia incestuosa... do capítulo que a Doroteia vende sua pobre alma ao odioso cérbero, o museu da arte pós-moderna narrada pelo Guilherme, fazendo os personagens e os leitores entrarem em um vacuo delirante, e toda sacanagem impressa. Bom, há muito tempo parei de reclamar da vida, não fico esperando, achando que a vida me deve alguma coisa, a vida não me deve nada.
Enquanto isso vamos começar tudo de novo, o Guilherme tem uma confiança incrível, já eu sou desacreditado... indiciplinado, etc. (Até parece que o Renato Russo não aprendeu, indiciplina que é liberdade)
Sobre o assunto, o Guilherme me disse pelo msn uma coisa verossímel sobre a nossa sempiterna composição literária. A Beleza de Gil não é um livro que tenha necessariamente um fim, aquela história de encerrar uma obra... É como se o Gil fosse criado apenas para estarmos sempre lá, escrevendo, escrevendo...
Eu também acho.

Clássicos de bolso

"Nem me viu!" (voz do meu primo, quando voltamos da sessão de chá)

"Você não tem jeito não." (Marcelo e seu bordão para comigo)

"Você é podre, Dom!" (meu amigo aspirante a artista plástico, Juca Lordello)

"Tu Rafael, tu desgraçado, tu veio despachado do inferno só pra me atormentar!" (Czar, meu antigo patrão resmungão)

"VOCÊ É MINHA VERGONHA!" (ha ha ha! essa eu ouvi ontem da minha ex-namorada.)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Melhor calar

Para não dizer que não falei das flores: No inicio tudo são flores, o ôba-ôba, a paixão trem expresso a todo vapor fazendo um rombo em seu peito. Sou caçador e quero me divertir, e para aquilo a que me entrego é somente a meu favor. Em todo caso, eu prevaleço no final das contas pobre de mim.
Santo Deus! E se eu fosse fazer uma soma num raio de dez metros em roda de toda desilusão? Tanto faz figura rídicula ou a um bonachão. Se entregar é viver e viver é bom e eu gosto, depois é que você vê o que é realmente bom, e como terá que se adaptar a uma série de culpas e ressentimentos. A vida não é fácil, e um dia após o outro é ainda pior.
E se posso exprimir-me dessa maneira, tomarei-me como exemplo: Quase enlouqueci porque amei sem amarras, sinto uma ligação intensa e tudo acaba, fico involuntariamente em processo stand by até o tempo me afortunar novamente. Sobre os afortunados dois dedos de prosa:
No que diz respeito a minha praticidade ser feliz é se dar bem, e eu bem sei que uma felicidade que me garanta as bodas de ouro da Gloria Menezes seria um pedido demasiadamente luxuoso. Não importa quando acabe, se um dia ou três semanas, até porque eu não acredito na felicidade, acredito em dias alegres, acredito na alegria. Felicidade parece ser sempre eterna, alegria é repentina, do mesmo jeito que vai, ela vem, assim como a tristeza e os devaneios. Sempre foi assim.
Eu quero mais é ter oportunidade para me gabar e ser feliz hoje, que é melhor que para sempre.

Ato falho

Fui chamado para uma entrevista de trabalho, eu estava de ressaca e de muito mau humor, e que droga; era de manhã cedo a entrevista. Mas, mesmo assim eu fui e fiquei esperando ser chamado. A mulher que atendia os interessados era muito jeitosinha e divertida, fiquei um bom tempo de prosa com ela e me sentir extremamente a vontade. Mas caguei a entrevista, ela nos deu uma prova para ser respondida com muita sinceridade e eu caçoei das perguntas, eram perguntas pessoais, do tipo: O que gosta de fazer? Sair pra beber. Pretende se casar? Não. Casar engorda. Se bem que eu tô precisando... engordar, é claro. Acredita em Deus? e eu respondi: Acredito que Deus é amor, acredito no amor.
E sobre a pergunta Você tem alguma religião? Na qual eu respondi: Sou da macumba.
Meu Deus! Minha mãe só faltou me matar quando eu contei às gargalhadas, moleque insolente... Ora porra, respondi com sinceridade e clareza as perguntas. Perguntas pessoais; respostas pessoais. Não é assim que tem que ser? Mas não é assim que é. Tem que mentir pra se organizar, vida e mentira são sinônimos já dizia o Dostoiévski.
E outra, eu pensei; deve ser muito chato a função de ler entrevistas de emprego. Das duas, uma: ou o cara vai se divertir com minhas respostas sem noção ou vai me odiar profundamente, me achar um moleque demente e porra louca, se ele for religioso então. Sei lá o que se passas na cabeçinha das pessoas. Ao menos irei ser reparado no meio do rebanho de ovelhas branquinhas que só querem impressionar, com certeza. Mas agora me vem a pergunta: será que eu também não quis impressionar? Não, não, escrevia o que vinha na minha cabeça de carneiro, sem pensar em beneficios. Tão certo assim,.
Pior fez o Guilherme, ele me contou que na entrevista de trabalho dele, ele deu em cima da entrevistadora, perguntou se agora que eles estavam a sós, que tal aproveitar esse ambiente térmico? A mulher deu um fora nele e mandou ele se retirar da sala, e ele, por sua vez, perguntou se ela estava sem calcinha. É isso que dá fumar uns brow e tomar tequila para encarar as entrevistas de trabalho.
Ora, e não é com a sinceridade que se consegue a verdadeira vitória?

quinta-feira, 23 de abril de 2009