sábado, 22 de agosto de 2009

Caricare

A pequena fugiu da situação como uma pomba que alça vôo por um simples ruido
deixando as migalhas para os pombos mais destemidos.
Eu assusto, quem sabe, os meus gestos caricatos?

O problema todo é essa minha veia dramática que torna tudo um filme b Almadovariano.
E o meu coração de mau gosto que peca a todo instante, exposto numa travessa, como uma natureza morta.

Eu sou completamente passional, deveria ter comunicado isso antes de passar mal?
E ainda tem essa minha cabeça estranha, que costumava agregar o Walt Whitman.
Mas veja só, nem sempre o sujeito atende ao adjetivo.

Não que eu confie na eternidade, eu só queria aproveitar por algum tempo o tempo que me foi dado.
Não preciso de um projeto científico (como ela me acusou), preciso de um romance de mão dupla (como eu já disse)

E mesmo que eu precisasse de um projeto científico... Eu não contaria com a pequena.
Plantaria um salgueiro, ora porra!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

The best over

Eu morro de medo de fracassar, medo de quem tem medo de nunca ter dinheiro, nem família, nem amor, nem estabilidade, nem nada, que paire por aí sem talento, e todo mundo começa a comentar como se você começasse a feder. Ninguém esquece o dia em que cai a ficha, quando descobre o quanto viver é difícil. Algo dentro de você te empurra pro entorno, ou você é isso ou você é aquilo, e você ainda pode ser a projeção de alguém. Vários olhares sob você, e o escrutínio pessoal de cada um sob vários olhares.
Eu mesmo estava por um fio_ como quem anda sempre numa corda bamba, estava porque o laço familiar arrebentou de vez, e para eu ser benquisto ou pelo menos confiável para os outros só um milagre, ou um grande esforço, o que não deixaria de ser um milagre. Quando as coisas começam a dar certo para todos ao seu redor, sempre bate um leve desespero daquele que vai ficando por ultimo ao ser escolhido pelo capitão, para um time de futebol.

A rota das barreiras



Eu penso escrever um livro, ele existe, mas não se nomeia. A rota das barreiras seria um bom nome para um romance? O que você acha se no romance tivesse situações como passar a tarde inteira trancafiados num quarto, cheio de caixas e roteiros, e toda parafernália de um ator, enclausurados fazendo amor, esnobando a vista pro mar?
Estórias de casais que se encontram por acaso, com o único objetivo semelhante de matar o domingo, e em conseqüência disso, ambos acendem o pavio de um estopim ou de uma noite pirotécnica regada a bebedeira e promiscuidade. Não, promiscuidade é uma palavra muito feia, prefiro sexo comunitário.
Você sentiu o vazio das horas seguintes depois da partida? Eu senti ainda na locomoção de volta pra casa, totalmente ressacado. No seu caso deve ter sido pior, já que tu és a dona do covil do amor, o amor romântico que pra ti é uma charneca, porque nos seus delírios você me ver como um sacerdote maia que quer arrancar seu coração e jogar no poço (Cada um com o seu ponto de mira.). Acredite, isso te assustaria mais do que se eu te dissesse que sou um estuprador insalubre.
Agora um segredo, antes de sair, eu mijei ao pé da sua cama para marcar território, eu sou um feiticeiro de espécie suína.
Não sofro de paranóia, mas a lembrança me persegue, os seus olhos não param de sorrir pra sua boca séria e para mim, e só quando tua boca se abre em sorriso tudo fica completo em tua feição, porque teus olhos estão sempre apostos na alegria. Seus olhos mudam de cor e me serve de espelho, me ver nos teus olhos é te olhar profundamente, apaixonadamente, ja os meus... Os meus implica os seus, meus olhos desmentem meu sorriso fake, o meu olhar me condena. Você me chamaria mais uma vez de gato elegante.
Com meus gestos de gatuno eu te persigo, esfrego meu rabo nas tuas pernas e miu, e lambo. Mas o amor animal não é nada se não abanar o rabo, lamber e dar a pata.
E mais tarde teorias de amor, pra mim apenas garantias de um relacionamento estável, desfiando acordos e tratados em suas mais diversas formas de amar, ou de apenas se sentir exclusivo, como queira. Mas quem vai saber senão aquele que em companhia da audiência relata a guerra com a propriedade de quem já esteve numa? Você é uma mulher munida de paúra, você é medrosa e cagalhona, cabrón! Está bem, a ilustração do seu Aurélio te figura precavida. Eu insisto porque coleciono uma série de más resoluções amorosas, você pode ser mais uma figurinha repetida em série, ou não. E se for, não fará a menor diferença para quem já têm tantas... Se não for, se tudo desse certo entre nós, pra mim seria uma solução por vias irônicas, um álbum premium. Bukowski me disse uma vez que as pessoas apaixonadas se tornam suscetíveis e perigosas, chatas e até mesmo assassinas, sabe disso? Bem, ele tem certa razão, o amor romântico vai da inspiração ao total desatino.
Algumas pessoas são interessantes a primeira vista, e depois lentamente se tornam odiosas, degradantes... Gosto de explorar esse lado nas pessoas, ver o seu mal, não que eu seja um escaravelho bosteiro à la soul modification, é só pura curiosidade. Sabe por que sou sarcástico a ponto de parecer maquiavélico? Gosto de ver as pessoas perdendo a cabeça, isso me excita. Apesar da verdade ser nunca dispensável, ela às vezes é apenas irrelevante. Eu quero estar morto quando a morte chegar, e depois de escrever irei dormir, antes que a fome me pegue.
Mas cá entre nós, a flor da idade e a idade da razão se masturbando feito dois mancebos, na mesma cama? Sete mortes e sete banhos em uma só tarde? Não, eu não sou gato, por mais que as evidências apontem o dedo acusador. E quando o tédio nos açoita, é você que espreme meus pontos negros.
Um brinde à sua profecia sobre a minha beleza no porvir, aos enlaços das minhas pernas e aos desenlances dos teus braços, as manobras de esgrima das nossas línguas, aos melindrosos do sexo no chão de linóleo!
Mono amor, amor solo, apenas monólogos; uma eterna punheta unilateral. A validade da paixão, o chamado pelos românticos “Amor de cavalo marinho”... Que idéia formidável! As pessoas deveriam fazer contratos de vitalidade e até casar apostas de duração livre, para ganhar um troco por cima. Ou então, simplesmente meter o pé num despacho de uma vez e sair cantando Noel Rosa.
Quanto a tu, minha amada, proponho-te mais uma vez os meus regalos, não se faça de rogada. Ah, mas não me quer? Chorarei por 3 dias e 3 noites, como Medeia e Rimbaud. Depois ficarei bem ao lado daquela que me ama. Minha ama lastimosa será o álcool. Ah, não me quer mesmo? A sério? Não tem problema, a gente se encontra na redenção, quando nós dois formos gatos.
Se tudo isso estivesse no apêndice do romance, A rota das barreiras seria um nome razoável para um título.
Se alguém disser que não gosta de você, é pura mentira. Não tem como, não há de quê e nem por onde.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

B-52´s



Let´s dance!
.
Amanhã tem party na casa do Gringo (fiesta de formatura), e eu tô sem grana pra ir, dinheiro é que nem cocaína, não presta pouco nem muito, e sabe como é... eu tô na lona.
Mais tarde vou pedir dinheiro emprestado ao meu amigo Nocaute. Se não rolar, vou apelar pra ameaça, essas vadias casadas não deviam me contar as suas aventuras.
Já peguei emprestado as moedas do meu Buda, não sei mais o que fazer.
No entanto, se eu for, vou levar B-52´s pra putada dançar e mandar ver. Gringo disse que vai rolar samba e cerveja de tarde, blues e gim de tardinha e de noite é a hora da putaria e das vodkas vagabundas, "da perereca pra frente e da perereca pra trás", do "late, late, late que eu tô passando..." e da "É minha! é minha! eu já disse que a buceta é minha!"
Na madruga...
Don´t stop music tuntz tuntz tuntz... [2]
e o doce, cadê? quem vai levar?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Em outro estado

Estive no meio de uma gladiação de palavras amargas,
sem bunker, sem escudo. Ao menos eu não chorei.
Só choro só, ou apenas para impressionar o coração alheio.
Não queria te impressionar.
Com a palavra, você. Eu com a ação, eu não poderia ser diferente...
Mas é só uma estratagema que eu arranjei de revidar a pior,
ah, você sabe. Você me conhece muito bem.

Aqui não consta a felicidade. Aqui a tristeza se aninha.
É que me sinto temporariamente infeliz, só que a conta gotas,
como uma torneira que não pára de pingar e encher.
A felicidade... essa egoísta.
No estado em que estou, só ela me serve.
Porque no estado em que estou, eu não sirvo pra ninguém.

Acredito que exista muitas pessoas felizes de verdade,
eu já uma fui um deles.
Anestesiamos a partida com abstrações e só agora eu sinto a dor,
e me dano na noite a procura do escuro pra me desabar.

Eu não me esqueço e me agarro aos teus vestígios,
como um náufrago se agarra a uma tábua.
E o tempo vai escoando sem dar lugar a nada de novo.

Volta para o que é teu de direito, traz a alegria de volta,
me faz sentir um céu livre das nuvens
um céu limpo cheio de estrelas.
Volta pra mim e o lobo se deitará com o cordeiro
e a paz reinará entre as nações.

Quem sabe com você a dor doesse menos?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ensaio

Cheguei cedo no teatro, pouco antes de pouca gente, o diretor não vêm, a sala nos foi dada para ensaiar-mos a derrocada.
Um grupo de cinco atores estão reunidos num canto, comentando sobre os crimes hediondos da cidade, sobre violêncio, de como é horrivel usar drogas e aquela merda total, comentaram também do crime do homem que morreu a pauladas. Eu fiquei entre eles, fazendo exercicio de voz, sem mencionar palavras, sem mencionar que eu tinha ficado perpexlo diante daquele crime, bem diante mesmo, com o nariz e os olhos enfiados, mas eles não sabiam que eu fui testemunha, um expectador inocente, e veja bem, eu não fazia questão nenhuma de que eles soubessem.
Não, nenhuma afinidade com nenhum deles, a eles o menor dos acréscimos. Uma é totalmente inoportuna e péssima atriz, o outro é muito bom, mas sua voz não chega até a sétima fileira porque tem calo na garganta, aliás, dois dos atores tem calo na garganta.
Deus, estou perdido, tenho esperança nos ensaios, quem sabe a repetição não nos dar forma e conteúdo, algo que o valha.
A repetição é meu Messias.

sábado, 1 de agosto de 2009

Post happy



Um pouco de risada, mesmo sendo falsa.